Um simples Obrigado não custa nada!

Todos os dias me deparo com alguém que, ou não diz bom dia a ninguém – no trabalho -, não diz obrigado/a, um simples gesto de agradecimento ou saudação. Ainda agora fui comprar um artigo num quiosque em Lisboa, sou cliente habitual e mesmo assim, eu aproximo-me digo “boa tarde, quero um x, sff”, enquanto preparo o dinheiro para pagar, do outro lado, nem tossiu nem mugiu, deu-me o artigo, recolheu o dinheiro e deu-me o troco. Eu respondo com um sorriso, obrigada. Do outro lado, põe os headphones e olha para o telemóvel…Uhrrr

Mas quem diz num quiosque, diz numa loja, diz num telefonema, em todo o lado. Vamos a uma loja, compro uma peça ou mais, dirijo-me à caixa para pagar. “A seguir” grita uma empregada do outro lado do balcão para a fila de pessoas para pagar.

Boa tarde – digo eu. Do outro lado um sorriso amarelo de como quem está a pensar, estou farta de cumprimentar as pessoas estás mesmo à espera que te diga boa tarde?? – faz a transacção – quer contribuinte na fatura? – Não, obrigada, respondo. São x€. É com multibanco, afirmo – carrega num botão no computador e continua a dobrar as peças para colocar no saco sem olhar para mim uma única vez. Já não tem nada para arrumar, enquanto o multibanco se decide em fazer a transacção, fica com a mão agarrada no terminal MB a olhar fixamente como se o seu pensamento telepático o fizesse trabalhar mais depressa. Com uma cara de quem está a fazer um grande frete, mascando uma pastilha de boca aberta e lábios pintados, olha para o relógio. O talão começa a sair da máquina, carrega no botão do computador para imprimir a fatura, entrega o saco, o talão e o cartão,.. A SEGUIR! – E NÂO ME DISSE NEM BOA TARDE NEM OBRIGADA. Obrigada estava ela naquela loja! Ninguém vê isto?? Esta história repete-se vezes e vezes sem conta em todo o lado!!

Eu até posso entender que nas alturas de saldos haja mais afluência e que os empregados tem que se desdobrar e mil e uma tarefas desde arrumar a salganhada de peças de roupa espalhadas pela loja que por vezes até parece uma feira, atender as filas intermináveis de clientes na caixa para pagar, mas convenhamos, é o seu trabalho, não é? E o patrão com certeza quer ter mais clientes, não deve ser com falta de simpatia que vai obter mais. O problema é que estas multinacionais têm tanto que, mais um menos um…E se eu, enquanto cliente também não tossir nem mugir? Como ficamos? Contribui seguramente para um dia melhor àquela pessoa.

Pergunto-me o que é feito da gratidão, da simpatia, da boa vontade, só posso concluir que as pessoas além de não serem gratas, não estão bem com elas próprias.

Nas empresas há uma grande preocupação com o atendimento ao cliente, pedem às pessoas que sejam educadas, tolerantes, mostrem simpatia com um sorriso do outro lado da linha mas a verdade é que, talvez muitas empresas, felizmente nem todas, nem sequer olham para os meios que podem controlar o atendimento e nem tão pouco querem investir em medidas de controlo de atendimento para satisfazer os seus clientes e fidelizá-los. Preferem não investir e “assobiar para o lado”. Não, na nossa empresa isso não se aplica porque nós somos poucos e somos bons. What??!??

Bom, mas eu nem quero ir por aí teria muito para dizer, talvez num outro artigo um dia destes; a minha irritação é mesmo com o dia -a -dia. O que custa a alguém entrar no escritório e dizer mil vezes bom dia se for preciso? Fica cansado? É para se sentir mais importante? E se todos não dissermos bom dia a ninguém durante um dia inteiro, nem obrigado sequer! Vamos terminar o dia mais felizes ou mais carrancudos?

Pois fiquem sabendo que até os grandes líderes de hoje dizem bom dia a todas as pessoas, é pelo respeito a que nos damos, que o recebemos.

Uma vez, chamei a atenção a uma colega por não ter agradecido a outro um trabalho que tinha executado com primor, ao que essa pessoa me respondeu – ele fez o trabalho que tinha que fazer…- eu fiquei perplexa com esta resposta! Então, na perspectiva desta pessoa, eu não agradeço porque aquela pessoa está a fazer não mais do que a sua obrigação? Mas o trabalho foi bem executado e entregue com apresentação. Se tivesse sido entregue de qualquer maneira então não há que chamar a atenção, pois é a sua obrigação entregar o trabalho seja em que condições for! Qual é a legitimidade de chamar a atenção se quando é executado com excelência nem sequer um obrigado recebe??

Isto é um problema na sociedade de hoje. Ainda falam da possibilidade dos robots fazerem o nosso trabalho. Pudera!! Trabalham 24/7, não se irritam, são tolerantes, executam as tarefas sem reclamar e estão sempre bem dispostos e prontos a ajudar!

O mesmo se aplica às nossas relações pessoais. Ahm a minha mulher isto e aquilo, ah o meu marido frito e cozido. Ei, ei!STOP, rewind! Vamos parar um pouco e olhar para nós próprios! Se passamos os dias de costas viradas uns para os outros, não agradecemos nada, não colaboramos, “não damos um porco sem ver um choriço”, chegamos a casa com uma carga de mau feitio!! e ainda estão há espera que ele ou ela colabore? Que tal um bom dia de manhã? Que tal ligar ao marido ou à mulher durante a tarde e dizer um olá, seguramente quando chegarem a casa vão bem mais leves. Que tal na loja agradecer ao cliente pela sua visita, que tal atender o telefone no trabalho e pensar que do outro lado está também alguém que procura uma simpatia, um cuidado uma atenção? Porque não olharmos um pouco para nós próprios e contrariarmos esta corrente de antipatia que parece assolar a nossa comunidade? Tratarmos bem os outros é tratarmos bem a nós próprios é darmos dignidade à raça humana!

Pensem nisto.

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