Uma aventura.. no mínimo peculiar

Hoje fui uma consulta de rotina de medicina no trabalho, como é habitual e obrigatório.
Faço o registo de chegada e pedem-me para esperar a chamada para fazer os exames que são supostos fazer.

Um homem aparece e chama pelo meu nome, virando as costas de imediato e desaparecendo do meu contato visual, presumi que ele tivesse ido para uma sala logo ali ao lado. Apresso-me para ir no mesmo sentido para não o perder, e quando viro a esquina, encontro-o.

“Boa tarde! Vamos entrar para os exames de glicémia e de colestrol. Pode sentar-se na cadeira desse gabinete e pousar os seus pertences no banco”- diz o técnico de análises.

Enquanto arrumo os meus pertences, o técnico tira umas maquininhas de uma gaveta que parecem umas máquinas de calcular em miniatura. Saca umas tiras de papel sem tirar os olhos das ditas máquinas. De súbito exclama: “erro?!”. Eu aguardo pacientemente. Abre a máquina, fecha a máquina, e volta a carregar num botão. “Tenho que lhe dar uma picadinha, está bem? “- “sim, ok” respondo eu. Enquanto me dá a picadinha e me espreme o dedo para uma das tiras da uma das maquininhas pergunta: “Já comeu?”, “sim.”-respondo-lhe. “Há muito tempo?”, “Há 3 horas.” afirmo. “Isso já foi há muitas horas…”-diz o técnico.

?! Muitas horas?? Pensei para mim, ou está a gozar comigo ou não deve mais nada nada para dizer!

Sai o resultado da Glicémia e espreme o dedo mais uma vez para a outra tirinha da outra maquininha. “Espera resultados elevados para o colestrol?” -pergunta o técnico?.”..resultados elevados? Não!” Respondo-lhe.

Fica a aguardar os valores e quando a maquina indica o valor, diz que está normal. Pois deve estar.. murmurava eu para dentro. “Trouxe urina?” – “Não..”, digo-lhe eu. “Tem uma vontade? Tem aqui o frasquinho, depois pode deixa-lo no tabuleiro azul que se encontra perto do WC e pode subir ao primeiro andar e aguardar que a chamem. E assim fiz. Mas isto ainda era só o principio…

Chegada ao primeiro andar, mal acabo de me sentar a pensar que ia demorar um pouco, pego no telemóvel e chamam-me logo de seguida.

“Bom dia!”- diz a técnica- “vamos fazer o rastreio visual?”. Ui, pensei eu, já preciso de óculos tipo há 20 anos, será que vai detetar? Chegada à sala faz-me uma série de perguntas e testes visuais. Eu não mudo de óculos há mais de 13 anos e bem falta me fazia mudar de lentes mas para estas pessoas não vale de muito estar a contar o que quer que seja porque ninguém me vai oferecer uns óculos, não é?

Há quanto tempo não muda de lentes ? pergunta a técnica

Há uns 13 anos, -digo-lhe eu.

E não sente necessidade de mudar de lentes?

(uhm, necessidade de mudar de lentes…mal sabe ela) – “Não!” -digo-lhe eu- “é só para fixar no computador!”

“Então só precisa para ver ao perto!”- diz a técnica.

Ver ao perto?! Penso que não, o problema é fixar..

“..Ok, então precisa para ver ao perto..”, enquanto escreve na ficha de avaliação.

Bem ok, não vale pensa insistir pensava eu. Eu preciso de uns óculos novos nem sabe ela o quanto. Mas penso eu que astigmatismo não que ver com ver ao perto ou ao longe tem que ver com o fixar porque eu desfoco as imagens…quer ao perto ou ao longe…Vamos ver o que detetam com esta estupidez de exames.

Pede-me para encostar a cabeça numa maquina (lá vamos a mais uma máquina, esta malta gosta de máquinas…é pena não serem muito sofisticadas…parecem um bocado arcaicas, só um bocadinho, percebem?) e ler as letras das linhas e os riscos e etc. No final, comenta que não está mau. “Ainda bem!” – respondi eu. Pelos vistos consegui enganar a máquina…ou o técnico…porque os meus óculos são fraquinhos e eu já vejo mal ao longe…

Pensei eu que a aventura tinha acabado mas ainda só ia na metade… Mandam-me novamente para a sala de espera. Sento-me, e observo discretamente as pessoas que se encontravam na sala, pequena, que quase não havia espaço entre as cadeiras.

Ainda bem que somos poucos, pensava eu. Com pouco espaço e sem ventilação que se veja não se podia estar aqui.

No balcão, aproxima-se um homem de bata branca que fala com as empregadas atrás desse balcão. Virado de costas, eu sem perceber muito a conversa que estava em causa, observo a forma como o individuo falava, gesticulava e se mexia, depreendi que devia ser um técnico que andava por alí.

De repente, esse individuo, não era nada mais que o médico…MEDO. Pega numa pasta amarela em cima do balcão, vira-se na minha direção e chama o meu nome pedindo que o acompanhasse e marcha em passo rápido pelo corredor fora. Eu quase mal tenho tempo de me desviar da enorme mesa da sala de espera e dos pés e pernas das pessoas que estavam em seu redor para chegar a tempo de o acompanhar ao gabinete. Foi quase os 100 metros obstáculos! Mas lá o apanho no corredor, olhando para trás diz-me “Isabel?” – “Como?” pergunto-lhe. “Não desculpe, olhando para a pasta novamente, Vera, Vera. Venha.”

Isto vai de bem a melhor, pensei eu. Nisto, o individuo abre a porta do gabinete e senta-se como se não houvesse amanhã.Tipo:já cheguei e estou à tua espera…
Ligeiramente atrás ainda – de facto-, entro no gabinete, fecho a porta e sento-me na cadeira dos pacientes.

O gabinete tinha um cheiro a urina de hospitais horrível. Um ar sujo, uma luz que parecia um talho ou um bloco operatório! O médico tinha ar de ter saído de um filme do Kubrick mas em rodagem há várias horas….
Homem de seus 45 anos, magro, sapatos sujos com atacadores desapertados, umas roupas que pareciam apanhadas do lixo, uns óculos dos anos 70 que devem ter sido comprados em 2ª mão do aspeto gasto que tinham. Dali só podia vir coisas boas…

“Tem alguma queixa?” – pergunta o médico.

“Não!!” – respondo eu.

Tem alguma queixa do seu trabalho?

?!? -Não.

Não tem nenhuma queixa do seu trabalho??

?? mas este está há espera que lhe conte a minha vida, será que ele pertence aos inspectores do ACT ou está de complô com o meu patrão?Uhm…- “Não, já lhe disse que não!”- Sorrindo.

Tem alguma doença?Alergia a medicamentos?- e diz-me um rol de doenças das conhecidas e daquelas que parecem palavrões.

Não, que eu saiba, não.

Gastro, instestinos, não tem nada?? Doenças mentais, perturbações?Visão blá bla´blá da visão?

Como? -perguntei-lhe.

Visão, não sabe o que é visão?

Desculpe, não estou a perceber onde que chegar…visão? – eu só não estava a perceber o palavrão antes da palavra visão- Não não tenho problemas de visão.

Comecei a pensar que este homem é que devia ter uma perturbação qualquer mental com as doenças ou era doente da cabeça.
Como é possível alguém entrar no gabinete dele e não ter nenhuma queixa?? Devia ele perguntar-se, que frustração! Mal sabe ele que estou “à rasca” do braço com uma tendinite!! Mas eu já fui ao médico, a este não lhe diz respeito. Mas ele estava indignado comigo!
Mede-me a tensão e faz-me mais quinhentas mil perguntas às que eu respondo…não! e isso estava a enervá-lo…bastante!!

Acaba de medir a tensão e eu ainda com o “adesivo” medidor, pede-me para me sentar na marquesa atrás de mim. Antes, ainda pediu para assinar digitalmente numa maquina (mais uma mas com ar de anos 80, apesar de digital), que esta ao lado do computador e eu ainda com o adesivo no braço.

Olho para o adesivo, olho para ele de como quem diz, sou eu que tiro isto do braço??

Pois assim foi, por ele fico a olhar para mim à espera que eu me fosse sentar na marquesa depois de assinar na máquina com o adesivo no braço.

Ainda bem que é só uma consulta de medicina no trabalho, murmurava eu.

Sentada na marquesa, observo uma máquina com letras como há nos consultórios dos oftalmologistas. pede-me para ler a última linha que devia ter uma letras de 0,00011 mm.

Deve estar a gozar comigo, não? Sem óculos não consigo ler aquelas letras, …mas por acaso..)enquanto tentava focar com os meus olhos).. até lhe posso dizer que são a..Z..ali parece o D.,..O..,.,,

“DEZFT!”, diz o médico,”não consegue ver isso??”

Eu olho para ele com um ar de quem não está a perceber se ele é um psicopata maluco ou se efetivamente é parvo.

Digo-lhe que é natural que ele as saiba as letras de cor porque deve fazer isto a toda a gente!

Irritado, saca do estetóscopio que está a “monte” na marquesa e faz-me auscultação. Sem pedir licença, enfia o estetóscopio pelo decote da blusa e faz o mesmo nas costas. Deve ouvir uma grande coisa, pensava eu.

Ok, está tudo bem! O conselho que tenho a dar-lhe é que deve ir com regularidade ao médico!

??!!- Este conselho vem porquê?? ,pensei eu.

Após sair do consultório, pensei que estava a sair de uma Twilight zone ou um filme do Alfred Hitchcock….

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