Ensaios2-A estrela cadente

Ouvíamos o rebentar das ondas, já ia longa a noite. Eu fumava um cigarro com uma das mãos e a outra por detrás da minha cabeça para não me magoar na rocha. Ela, deitada na areia ao meu lado, contava-me histórias das suas aventuras, ríamos das nossas parvoíces…olhava de vez em quando para os seus olhos castanho amêndoados enquanto falava. Que bonita era! Um sorriso contagiante que nem ela se dava conta…cada palavra que saía da sua boca era uma melodia de sensações em mim!

Falava-me das estrelas e como estava estrelado o céu nesse dia! Apontava-me as constelações, falava-me dos signos, algumas curiosidades…falámos horas!

Uma estrela cadente rasgou o céu! Ela senta-se, fecha os olhos, fecha os punhos contra o corpo como quem está em telepatia com a estrela.

Sim! – diz ela- gostava muito! E segue-se um momento de silêncio.

De repente, senta-se e começa a tirar o vestido. Está muito calor, diz ela a rir-se.

Que vais fazer?

Vou ao mar e tu, vens?

És louca!! O mar deve estar gelado!

Por isso mesmo! Queres vir-me aquecer…? – Tira o vestido devagar e eu fecho os olhos…

És um tolo! -diz ela.

Começo a espreitar por entre os dedos e já vai ela praia fora com os cabelos a esvoaçar chamando por mim tentando cobrir o seu corpo com as mãos.- vem! – diz ela a rir-se.

Vislumbro a silhueta do seu corpo no contraste do luar e o do breu, vejo cada pormenor do seu corpo enquanto se move, o contorno dos seus seios, a sua pele branca, os cabelos brilhantes a sobrevoar a sua face, os olhos brilhantes como um lince no escuro…Consegues-me apanhar? – grita ela do fundo à beira mar enquanto se molha.

Tenho que resistir! Tenho que me manter focado …mas esta rapariga..tem algo que mexe comigo! Quando estou só, penso nela. Quando ela vem ter comigo, o meu coração bate depressa ao encontro dela. Quando ela não está, sinto-me só e só quero estar com ela. O seu sorriso desperta em mim tudo o que há de bom em mim…cada suspiro que dou inspiro mais um pouco do seu cheiro, do seu sabor, aumenta o meu desejo…

Ao longe, o doce movimento da água caindo pelo seu corpo parece uma dança. Sinto-me perdido nas ondas do seu corpo, preso ao cheiro da sua pele, quente pelo calor do seu corpo, embriagado de desejo e paixão e num súbito repente corro para ela! Viro-a para mim. Olho nos seus olhos, …cheios de ternura e amor, sorriam para mim. Da sua boca sai um leve – amo-te!.. Acaricio-lhe o cabelo, percorro a sua face com os meus dedos, encosto a minha cara à dela e sinto a sua pele. Ela treme de frio, aconchego-a nos meus braços de encontro ao meu corpo, vagueio com as minhas mãos pelo seu corpo sedoso, aproximo lentamente os meus lábios dos seus e murmuro…- Já te amo muito antes de alguma vez me teres amado… e beijo-a.

Na união do beijo uma melodia nasce que apenas nós ouvimos. O amor entre dois corpos se uniu sob o testemunho das estrelas e da noite. O desejo se fundiu na paixão ardente de dois seres que se amam profundamente.

O nascer do sol chega para nos lembrar que um novo dia vai começar e que a fantasia acabou.

Adeus…, -disse ela deixando cair uma lágrima pelo seu rosto num olhar triste e desalentado- nunca te esqueças que te amarei sempre…

Voltou costas e seguiu pela praia num rasto apagado pelo vento… foi noite mais bonita que vivi na minha vida…

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